sexta-feira, 18 de março de 2011

As cores do sorriso

Um dia a gente percebe que não sorri mais como antigamente. Que o sorriso deve ser sob medida... Nem muito, nem pouco. E, principalmente, não deve ser fora de hora (só que a gente não aprende que tem hora certa pra sorrir...) As crianças sorriem com tanta naturalidade que, mesmo em prantos, conseguem nos tirar um leve sorriso... suave, mas colorido.

Um dia então a gente percebe que já não gosta de pirulitos, que o biscoito recheado é enjoativo, que aprendemos a assoviar e que o algodão doce não desperta qualquer desejo outro, senão o de lavar as mãos.

Quando a gente percebe essas pequenas coisas, começa a perceber que aquele coleguinha de infância e que vemos todos os dias não é mais que um estranho. Que mal sabemos travar uma conversa com alguém que não seja pela internet ou pelo celular. Que não basta ter um aparelho, pois a briga pelos bônus nos faz carregar o peso de dois ou três , que tocam ao mesmo tempo! Tempo... o que é mesmo???

È... Isso tudo não nos deixa perceber que é a exigüidade do tempo que nos faz dar pouca importância ao outro. Que quando alguém pergunta se está tudo bem ou como vão as coisas, não tem tempo para ouvir a resposta.

E depois de um longo tempo passa a perceber que os sorrisos todos perderam as cores. Só o amarelo prevalece. Sorriso de arco íris é próprio das crianças e sentimos saudade. Palavra que possui a forma de lágrima.

A matéria de que é feito o sonho

Alguns afirmam que os sonhos são tecidos finos, etéreos, frágeis . Outros garantem que possuem o segredo da eterna juventude (“sonhos não envelhecem”). Há os que nem acreditam nos sonhos – quanta maldade! – mas como as bruxas, que eles existem, existem!

O que é afinal sonho? Pergunto-me a todo instante se toda realidade já foi sonho em algum momento. Seriam válidos os sonhos que sonhamos apenas quando dormimos? Enquanto muitos dormem, outros acordam cedo e vão trabalhar! Perseguimos os sonhos e os sonhos perseguem os sonolentos e os que batalham...

O brinquedo sonhado, o vestido sonhado, o emprego dos sonhos! Sonhos que aw aquecem nos braços do amor, sonhos naufragados em lágrimas, sonhos de picumã amarelecidos nos recôndidos da alma temendo por se deixarem realizar.

Quando um sonho se realiza, perde seu encantamento e deixa de ser sonho, mas torna-se a maravilhosa realidade, que é a materialização da essência onírica. É preciso, pois, sonhar outros propósitos, é preciso viver para realizá-los . Há uma incrível simbiose entre vida e sonhos... Oh, claro! Somos feitos da mesma matéria de que são feitos os sonhos... Shakespeare nos disse isso há mais de 500 anos, outros românticos, humanos, sensíveis também cantam e contam os sonhos. No entanto, mal percebemos a verdade nas falas mansas dos poetas. Não passam de sonhadores.